terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Vita Contemplativa

Nos dias 20 e 21 de Março irá decorrer, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Vita Contemplativa 2017 – Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea. É no âmbito deste seminário que irei falar, no segundo dia, sobre a temática Caminhada Holotrópica – Ecosofia e Eco-espiritualidade. Esta comunicação irá abordar o andar a pé como forma de (re)integração com o todo, numa perspectiva ecosófica e eco-espiritual, sob três pontos de vista complementares: Ser/Sentir, Demandar e Des(en)cobrir a Natureza. Como o caminhar se poderá traduzir numa experiência de maravilhamento sublime através de altos níveis de atenção “ao sensível”, numa espécie de ontologia selvagem de regresso às origens. A marcha, como “ioga ambulatório”, permite explorar múltiplas facetas do Ser, designadamente através de cambiantes do ritmo e do próprio estar parado.


Aqui fica o convite para participarem e o respectivo programa do evento.


20 de Março

· 14:00 SESSÃO DE ABERTURA
Carlos João Correia


· 14:15 – 16:15 MEDITAÇÃO, ARTE e LITERATURA
(moderador: Fabrizio Boscaglia)

Susana Chasse
Desenho como Meditação. A percepção do agora 

Davide Trasparente 
Arte, Espírito e o nó do nosso tempo

Sandra Battaglia

A Dança como caminho do Eterno

José Eduardo Reis
Plena consciência literária: “Desculpe, a casa é tão pequena, / Mas pratique o seu saltitar, /Por favor, Senhora Pulga!”


· 16:15 – 18:00 ÉTICA E TERAPIA
(Moderadora: Paula Morais)

Eva Ndrio
Valores Universais, Consciência e Práticas Meditativas - O caso da Universidade Valores Universais 

João Ferreira
O Budismo e a psicoterapia

Daniela Velho
Meditação e cura profunda. Práticas meditativas para despertar a mente e curar o corpo


· 18:00 – 20:00 MEDITAÇÃO E FILOSOFIA 
(Moderador: Paulo Borges)

Pedro Teixeira da Motta

As Bússolas contemplativas da Luz e da Verdade, do Espírito e da Divindade

José Manuel Anacleto
Reflexão, Contemplação e Libertação

Jorge Rivera
A meditação como lugar de verdade

Carlos Silva
Meditação como recordação do esquecimento

Conclusão - Experiência meditativa


21 de Março

· 14:30 – 16:00 MEDITAÇÃO, ARTE E ECOLOGIA
(Moderadora: Paula Morais)

Sara Inácio
Alvorada - o sentimento de ligação à Terra

Pedro Cuiça
Caminhada Holotrópica – Ecosofia e Eco-espiritualidade

Isabel Correia
Contribuição da Meditação na Responsabilidade social e consciência Ecológica


· 16:00 – 18:00 MEDITAÇÃO E ESPIRITUALIDADE
(Moderador: Paulo Borges)

Paula Morais Antunes
Patañjali Yoga darshana: Dhyána Samádhi: contemplação, conhecimento e libertação

Ana Paula Martins Gouveia
Cultura Contemplativa e Práticas Temporâneas: Motivações e Implicações do Fazer Filosófico Budista

Fabrizio Boscaglia
Silêncio, retiro, fome e vigília no Sufismo de Ibn ʿArabī

Gilda Monteiro
Meditação Cristã, um Caminho para a Paz


· 18:00 – 19:45 MEDITAÇÃO E MINDFULNESS
(Moderador: Fabrizio Boscaglia)

António Carvalho
Os dispositivos da mindfulness: tecnologias do sujeito, neurónios e subjetividades neoliberais

Sónia Matos Machado

Contemplação e equanimidade: formas integradas de desenvolvimento humano

Paulo Borges
A meditação numa encruzilhada. Das ambiguidades da mindfulness ao pleno despertar da consciência

Conclusão e Encerramento - Experiência meditativa


Comissão Científica: Carlos João Correia, Paulo Borges
Comissão Organizadora: Fabrizio Boscaglia, Paula Morais, Paulo Borges
Organização: Seminário Permanente “VITA CONTEMPLATIVA – Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea” do Grupo de Filosofia Prática do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa

ENTRADA LIVRE
Acesso/transportes públicos: autocarros e Metro Cidade Universitária




segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Flor no Caminho


quero contemplar uma flor
à primeira luz do dia
para ver a face de um deus
[BASHÔ, 2016: 145]


Referência bibliográfica
BASHÔ, Matsuo. O Eremita Viajante. Haikus – Obra Completa. Lisboa: Assírio & Alvim, 2016, pp. 424. ISBN 978-972-37-1920-8


sábado, 7 de janeiro de 2017

Ir...

«As sapatilhas que deixem o pé funcionar como se estivesse descalço – são essas que eu quero.»
[Arthur Lydiard in McDOUGALL, 2010: 237]

Pedro Cuiça © Queijas (7/01/2016)

Ser original é ir às origens. Hoje fui o(b)rar (n)esse Templo que é o Corpo… Há quem lhe chame treinar! Depois das experiências com Vibram FiveFingers (que por sinal continuam) agora estou numa de PrimalEvo…








Referência bibliográfica
McDOUGALL, Christopher. Nascidos para Correr. Alfragide: Caderno, 2010, pp. 368. ISBN 978-989-23-0941-5

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Será ser?...

Não sei se será por hoje ser Dia dos Reis Magos ou dos Mestres do Oriente mas hoje é certamente um dia auspicioso… De facto, não é todos os dias que recebo uma fotografia, enviada por um amigo, com o Passo a Passo e A Fronteira Invisível, lado a lado numa livraria em Braga. De um sou o autor e do outro tive o gratificante prazer de ter efectuado a revisão técnica, razão (entre outras) mais do que suficiente para – não me sentido nem mestre, nem mago e muito menos rei – ficar particularmente entusiasmado, ainda para mais numa tarde plena de luminosidade como esta. 

António Coelho © Braga (6/01/2016)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Caminhada Natural(ista)


Caminhada como vivência pós-romântica de um misticismo pampsiquista e panteísta, com laivos de expressão franciscana (e portanto cristiano-pagão), que poderemos classificar como uma forma de naturalismo espiritualista português ;-)

domingo, 1 de janeiro de 2017

A(l)titude

À psicologia das profundezas, que devemos à psicanálise, acrescentamos hoje uma psicologia das altitudes que nos coloca na direccção de uma superintelectualidade possível.
PAUWELS & BERGIER (2008: 56)

Nicholas Roerich © Underground Chud (1928)

Atitude é altitude... sendo preferível almejar uma "supra-intelectualidade" ;-)


Referência bibliográfica
PAUWELS, Louis & BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Lisboa: Bertrand Editora, 2008, pp. 512. ISBN 978-972-25-1753-9


Pedro Cuiça © No Céu (Sobre o Atlântico, 2016)

Nigredo

«– Gosta de jardinagem? Eis um belo começo, a alquimia é parecida com a jardinagem.
– Gosta de pesca? A alquimia tem qualquer coisa de comum com a pesca.
Trabalho de mulher e brincadeira de criança.»
Louis PAUWELS & Jacques BERGIER (2008: 105-106)

O Nigredo – a confusão dos elementos que surge no fim da liquefacção – é também o 1º meio demonstrativo, a Cabeça do Corvo, que marca o princípio da primeira negridão, a corrupção ou putrefacção (que dispõe para a geração).
Corresponde, ainda à primeira digestão (que é feita com CALOR BRANCO) – o congresso do macho e da fêmea, a mistura das matérias seminais, a dissolução do corpo e a resolução dos elementos em Água homogénea (o Caos tenebroso, o Tenebroso abismo).
José Manuel ANES (2010: 99)

Lima de Freitas © O Farol de Saturno (Acrílico sobre tela,1986)

Esta viagem começa a «Ocidente», pois esta palavra designa, em linguagem alquímica, a nigredo ou «a obra ao negro», que é a primeira fase do trabalho de transmutação: Ocidente, explica-nos Dom Pernéty, é o nome que «alguns químicos deram à matéria da obra em putrefacção. É a dissolução do sol hermético, chamamos-lhe ocidente porque este sol perde então o brilho, como o sol celeste nos priva da sua luz quando se deita». A «putrefacção» e a «dissolução» do «sol hermético» ocorrem assim nas águas negras do mundo de baixo, mas esta água amarga e salgada, este «Mar tenebroso» que se trata de atravessar é também o homem ele mesmo, no seu vazio abissal, sucessivamente purgatório e inferno, obscuro e inconsciente, profundidade temível onde sente chamaram-no as vozes indistintas do passado e dos seus «outros» larvares, engolidos, não manifestados ou não absolvidos, familiares e estranhos, como Jonas os entendeu no ventre da Baleia.
A barca enfim (como a baleia de Jonas era o seu inconsciente, como o «Mar tenebroso» era a sua substância abissal) revela-se ser ainda o homem ele próprio, desta vez enquanto corpo; corpo feito de água deste mesmo mar salgado, sal deste sal, cristalizado durante alguns instantes à superfície da noite líquida, como a imagem da face de Deus, antes de se dissolver: corpo-nau, navio e vaso, matéria maternal, que alimenta, feminina, que contém, abrigando-a e sustendo-a, a língua de fogo coagulada por cima do solve universal, como a arca susteve Noé e todas as sementes da vida futura acima do dilúvio.
E nós vemos presentemente esta chama, esta presença divina ou este «Espírito Santo» flutuando sobre as vagas do oceano cósmico e deslizando em direcção à aurora consurgens; do mesmo modo, aquele que repete iniciaticamente o percurso solar sobre as vagas diluvianas verá despontar a «Oriente» as claridades puras do albedo. «Quando a cor branca se manifesta após o negrume da matéria putrefacta, diz o dicionário de Dom Pernéty, chama-se-lhe Oriente porque parece então que o Sol hermético sai das trevas da noite». A viagem iniciática começa, assim, «entre uma luz inicial e uma luz reencontrada, entre o Oriente primeiro, paraíso sempre perdido, e o Oriente segundo, definitiva cidade do sol», sendo o percurso nocturno a prova, a errância, a demanda, a História, pois segundo a profunda observação de Hegel, pertinentemente retomada por Jean-François Marquer, toda a história é por si mesma «ocidental».
Na riqueza extraordinária dos mitos e dos símbolos do mar e da navegação, encontrámos portanto, um fio condutor de natureza iniciática que orienta a nossa pesquisa e desde já confere um sentido a bastantes lendas e aspectos tradicionais aparentemente desprovidos de conexão. Resumamos então: a morte do homem é assimilável à «morte» do sol; o seu lugar é o «Ocidente», ela pode ser concebida como uma dissolução ou uma partida no oceano primordial; o mundo inferior ou infernal apresenta-se como um percurso a vencer, uma navegação perigosa, uma peregrinação da alma, e completar este itinerário equivale, em consequência, a uma prova iniciática, a uma descida aos infernos e a uma purificação através de provas sucessivas; a aurora anuncia a «ressurreição» do deus sol e prefigura a fusão da alma do defunto na luz divina ou, no plano «técnico» do hermetismo, a obtenção da «pedra branca» que precede a entrada em Heliópolis, a cidade solar.
Lima de FREITAS (2006: 189-192)

Pedro Cuiça © Quinta da Regaleira (Sintra, 2016)


Referências bibliográficas
ANES, José Manuel. A Alquimia – Os alquimistas contemporâneos e as Novas Espiritualidades. Lisboa: Ésquilo, 2010, pp. 320. ISBN 978-989-8092-71-7
FREITAS, Lima de. Porto do Graal – A riqueza ocultada da tradição mítico-espiritual portuguesa. Lisboa: Ésquilo, 2006, pp. 352. ISBN 972-8605-72-2
PAUWELS, Louis & BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Lisboa: Bertrand Editora, 2008 pp. 512. ISBN 978-972-25-1753-9